Terapia musical em grupo, vivida nos workshops de Constelações em TSFI — tambores, maracas e violão a serviço da escuta de um campo.
Do encontro entre Constelações em TSFI e Som nasce uma prática de grupo: ritmos, toques e cantos de raiz xamânica, indígena e afro-brasileira, conduzidos por tambores, maracas e pela condução harmônica do violão.
O ConstellaSsom não acompanha a constelação — ele prepara o terreno. Antes da escuta de um campo morfogenético, o grupo canta e toca junto, e é nesse gesto coletivo que o corpo se abre para o que vai ser revelado.
O objetivo central é o bem-estar promovido pela criação de novas sinapses — novas conexões cerebrais — a partir da repetição rítmica, do canto compartilhado e da vibração sonora vivida em grupo.
Terapia Sistêmica Fenomenológica Integrativa — uma terapia de grupo que tece, num só tecido, várias linguagens de cura.
Representantes acessam, no corpo, destinos e vínculos de um sistema familiar — a base lançada por Bert Hellinger.
Gestos corporais espontâneos — sacudir, pular, soltar — liberam, no corpo, o que a palavra ainda não alcança.
Canções e sons conduzem o processo terapêutico através da vibração, do ritmo e da melodia.
Padrões psicológicos da matriz africana servem de espelho simbólico para as forças em jogo no campo.
Terra, água, fogo e ar orientam a leitura fenomenológica do que se apresenta na constelação.
Tanto a música gravada quanto a tocada pelos participantes potencializam o registro das informações no campo morfogenético.
Desenvolvida pela suíço-brasileira Alexandra Caymmi a partir de 1996, a TSFI faz da música um agente catalizador nos momentos certos da sessão — potencializando as vibrações já presentes no campo.
Quatro ideias sustentam o papel da música nas Constelações Familiares — sintetizadas a partir do estudo teórico-filosófico que dá origem a este material.
Diferentes definições convergem para uma ideia central: a música, conduzida por um terapeuta, é usada para facilitar comunicação, expressão e mudança — atendendo necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas. Bruscia (1998) distingue ainda a psicoterapia musical, em que tocar e ouvir substituem o discurso verbal como meio primário de relação e de trabalho terapêutico.
Bert Hellinger chegou ao método observando, como missionário na África do Sul, padrões que se repetem em famílias ao longo de gerações. Reconheceu um fenômeno já notado por Virginia Satir em suas "esculturas familiares": um representante, mesmo sem saber nada sobre quem representa, passa a sentir — e às vezes a reproduzir fisicamente — o que essa pessoa viveu. Levy Moreno, criador do psicodrama, já havia descrito algo semelhante décadas antes.
A teoria da ressonância mórfica propõe que as mentes de uma espécie partilham um mesmo campo — uma memória coletiva que guarda a história e a evolução passadas, comparável ao inconsciente coletivo de Jung. Cada família teria sua própria memória nesse campo, acessível a todos os seus membros.
"A ressonância mórfica poderia ser aplicada ao estudo da árvore genealógica."
Caymmi soma à constelação a musicoterapia, a traumoterapia e o xamanismo. O canto ajuda o cliente a colocar em movimento — e a liberar — pontos de desequilíbrio e bloqueios: são as vibrações do canto, com ou sem instrumento, que atuam no processo.
A profundidade de uma intervenção musical varia conforme o quanto a música e a relação terapêutica se aprofundam no processo.
Não segue critérios musicoterapêuticos formais, mas serve de base para o trabalho clínico.
A música amplia a potência de cura já em curso, somando experiências musicais e extramusicais.
Foco nas necessidades do cliente; a relação músico-terapeuta ganha peso, com forte presença verbal — o nível onde vivem as Constelações em TSFI.
Todas as áreas da musicoterapia se mesclam, usando todos os recursos e modalidades disponíveis.
| Área | Auxiliar | Aumentativo | Intensivo / Primário |
|---|---|---|---|
| Cura | Cura sonora | Cura musical | Musicoterapia na cura, integrada à medicina |
| Psicoterapia | Música psicoterapêutica | Psicoterapia de apoio | Música psicoterapêutica plena |
| Ecológica | Música cerimonial | Rituais musicais de cura | Musicoterapia comunitária |
Recortes do estudo teórico-filosófico que acompanhou consteladore(a)s em formação — cada caso, uma canção que emergiu como agente de liberação.
Diante de uma cirurgia marcada para o dia seguinte, uma roda de música com tambores e pandeiro abriu a sessão para acalmar o medo. A constelação revelou um padrão de mulheres do sistema — mãe, avó, bisavó — que nunca puderam se cuidar por estarem sempre cuidando dos outros. O choro liberou o padrão; a cliente operou no dia seguinte e, com acompanhamento médico, foi curada.
Caçador de Mim — Milton NascimentoO vínculo afetivo segue ativo por algum tempo depois da perda, e seguir em frente sozinho é o desafio. Uma mesma canção atravessou dois momentos da sessão: primeiro nomeando a dor do luto, depois revelando um padrão familiar de depressão. Repetida como mantra em sua resolução, a canção reconectou a cliente com a possibilidade de refazer a vida.
Travessia — Milton NascimentoPouca vontade de concluir projetos e uso frequente de cannabis levaram a uma constelação que revelou fidelidade a uma avó de religião de matriz africana, mediunidade e charutos — nunca honrada pela família. A saída sugerida foi honrar a ancestralidade africana pela prática da capoeira, e não pelo cigarro.
Vamos jogar capoeira — domínio públicoUm abuso sexual cometido por uma pessoa de confiança, fora da família, fez uma criança deixar de confiar em adultos e desenvolver a necessidade de controlar tudo. A ponte proposta foi com um plano espiritual — um "Eu Superior" — capaz de sustentar a confiança que antes só vinha de fora.
Se eu quiser falar com Deus — Gilberto GilO cuidado com o próximo se aperfeiçoa com o tempo, e a música é uma das ferramentas mais eficientes para acessar regiões internas e simbólicas que a linguagem verbal nem sempre alcança. As Constelações Familiares em TSFI, somando musicoterapia, traumoterapia e xamanismo, adotam essas linguagens não-verbais para restabelecer o equilíbrio, reforçar uma qualidade ou liberar um trauma — nem sempre de forma imediata, mas de forma notável.
BRUSCIA, K. An Introduction to Music Psychotherapy: The Dynamics of Music Psychotherapy. 1998.
BRUSCIA, K. Definindo Musicoterapia. Trad. Mariza Velloso Fernandez Conde. 2. ed. Rio de Janeiro: Enelivros, 2000.
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CAYMMI, A. Retorno ao Centro de Mim Mesma. São Paulo: Scortecci, 2017.
DALLAZEM, A.; ARAÚJO, G. As Interfaces entre a Musicoterapia e a Educação Musical no processo musicoterapêutico para pacientes Neurológicos. TCC — Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Candeias, 2017.
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Musicoterapeuta, multi-instrumentista, cantor e compositor — mais de 30 anos de trajetória como produtor cultural, vocalista e violonista sustentam o trabalho por trás do ConstellaSsom.
Terapeuta Sistêmica desde 2002, hoje à frente da coordenação da Formação em TSFI na Bahia e parceira de André Bertotti Gomes na condução do ConstellaSsom.